
caminho sem medo pelo deserto, me dedico a atravessa-lo sentindo cada passo, saboareando cada gota do suor que pinga e percebendo as nuances so seu sabor.. lendo atravez delas meus desejos e sonhos, percebendo-me madura, percebendo-me mulher....a paisagem arida, os chacais, a solidão ja não são meus opositores, antes são meus mestres nesta caminhanda, e a cada manha me dizem quem sou... o sol queima minha pele, e me dispo sem pudor, meu corpo é minha casa, onde reside meu pazer, minha carne enxerga ao longe e clama para ser liberta... descubro cadeias, descubro prisões... o sol queima minha carne, meus seios entumecidos são beijados por ele, minhas costas marcadas... descubro meu rosto, dele tiro o veu e deixo o sol a areia e o suor se misturarem em minha face, e me permito sentir o incomodo, a dor, me permito e percebo que minha carne esta em brasas, pois esta nua diante de mim mesmo...
a paisagem me contempla, me sinto observada e seguida pelo silencio.. que me ensina ouvir a voz da minha alma...
quero estar no deserto e ouvir minha alma, e deixa-la gemer e gritar e me ensinar como seguir....
a noite chega, e a terra esfria, cansada deito na areia e as estrelas me contemplam nua e ardente, sinto frio... sinto uma lagrima rolar pela minha face, sinto desejo de me aconchegar e abrigar, sinto saudades de uma mão amiga, mas o deserto me lembra que estou so, que é minha travessia, meu momento de sondar e me perceber...
o sono chega e adormeço. as estrelas me velando o sono, o frio produzindo sensações intensas me aconchega no seu colo, a fria areia me cobre de leve, o vento vem me renovar...
as estrelas contemplam a mais bela rosa deitada na areia branca, vermelha como o sangue das suas veias, quente como a sua paixão...